Como cobrar projeto de arquitetura? Saiba como precificar os serviços!

Uma das principais dúvidas de quem está entrando no mercado é: como cobrar projeto de arquitetura? A precificação de serviços precisa levar em conta uma série de fatores.

Ela não pode ser tão baixa a ponto de causar prejuízo ou inviabilizar o andamento das obras, mas também não deve ser alta e fora da realidade do mercado, reduzindo a competitividade da proposta.

Mas enfim, como calcular esse preço? Em primeiro lugar, você precisa saber que não existe uma receita pronta para isso. Porém, é possível seguir algumas diretrizes para estabelecer um preço justo e uma margem de lucro razoável. Quer saber como fazer isso? Então, não perca este post!

Pesquise e reúna informações

Para nos ajudar nesse assunto, buscamos um especialista. Conversamos com Daniel Motta, que atua na DOK — uma empresa especializada em serviços financeiros com foco exatamente em Arquitetura e Design de Interiores.

Segundo ele, a “precificação é o resultado de uma combinação de informações como o tipo de projeto a ser executado, mercado em que o arquiteto atua, forma de execução e gestão do projeto, além da estrutura e custos do escritório”.

Portanto, não é possível o profissional seguir uma cartilha. É preciso reunir todas essas informações para tomar uma decisão. Algumas delas são bem previsíveis, como a estrutura e custos do escritório. Outras vão variar a cada projeto.

Por isso, o arquiteto deve estudar o mercado à sua volta. Ele deve conhecer a média de preços praticada por seus concorrentes e também pelos prestadores de serviço que vai contratar para executar o projeto.

Uma boa noção dos custos diretos e indiretos e do tempo necessário para a realização das atividades também é essencial para não subestimar despesas ou criar um preço impraticável.

Ainda segundo Motta, é o conhecimento dessas informações que permite ao arquiteto calcular o preço de um projeto da forma mais rentável e justa possível.

“O cálculo da precificação é um método a ser implantado e não existe uma receita de bolo para isso, pois cada escritório e cada projeto têm suas particularidades. Uma consultoria especializada pode te ajudar no desenvolvimento e implantação dessa metodologia”, afirma o especialista.

Conheça os métodos e opções de como cobrar projeto de arquitetura

Quando falamos da precificação de serviços de arquitetura, três são métodos são os mais utilizados no mercado — a cobrança por metro quadrado, a porcentagem sobre o custo da obra e o recebimento por hora trabalhada. Entenda melhor cada um deles.

Cobrança por metro quadrado

Esse é um método muito adotado por alguns arquitetos, especialmente no início de carreira. Contudo, outros profissionais não o consideram uma boa opção. Ele é bastante comum quando o projeto é simples, como residências e prédios comerciais de pequeno porte. 

Entretanto, o custo do metro quadrado pode variar muito dependendo da região em que o arquiteto atua e do que é praticado pela concorrência. 

Uma forma mais segura e eficaz de fazer a determinação do preço médio de metro quadrado para cada tipo de projeto é analisar alguns trabalhos similares e o custo total deles para identificar uma média cobrada. Para isso, deve-se dividir o custo total do projeto (as despesas fixas e variáveis e o lucro) pela área total do mesmo. 

Caso não tenha acesso a esses valores e informações, você pode obtê-las por meio de benchmarking — comparando o que é praticado por outros nomes do mercado do mesmo segmento de atuação e posicionamento. Outra maneira é estimar o custo total de diferentes projetos e dividir pelas áreas, obtendo assim uma estimativa média. 

Percentual

Trata-se da metodologia mais usada internacionalmente. Ela estabelece um percentual sobre o custo estimado do projeto e pode levar em consideração o grau de dificuldade da obra. Por isso, ele também é variável, porém um pouco mais previsível.

Para se ter uma ideia, o percentual de cobrança para projetos de grande porte varia, em média, entre 2,5% e 4%. Já nos projetos de pequeno e médio porte, os índices ficam entre 7% e 12%.

Lembre-se também que para determinar esse percentual de forma mais competitiva e segura, você pode e deve realizar pesquisas de mercado para conhecer os preços praticados. Analise sempre se o percentual escolhido cobre os custos fixos e variáveis e o lucro desejado. Caso contrário, mesmo que seja o valor praticado pelo mercado, não será um projeto vantajoso, podendo proporcionar déficits financeiros.  

Hora trabalhada

No início da carreira, muitos desses cálculos se baseiam em estimativas. Você ainda não sabe, realmente, quantas horas vai precisar trabalhar até ver um projeto concluído. Por isso, é preciso avaliar sua experiência passo a passo.

Portanto, para alcançar essas informações, durante o andamento de cada projeto e ao seu final, registre tudo o que fez por aquele cliente. Use essas informações para avaliar se a sua hipótese de tempo e custos é maior ou menor do que a realidade e, se necessário, ajuste seu preço nos próximos projetos.

Contudo, independentemente de optar pela cobrança por hora trabalhada, é essencial que um profissional — principalmente quando autônomo ou um prestador de serviços — saiba o real valor da sua hora de trabalho. 

Além disso, esse conhecimento também permite avaliar se o valor de um projeto por metro quadrado ou por percentual será benéfico ao escritório ou não. Por isso, é uma das formas de cobrança mais seguras, pois esse valor é construído com base nos custos da empresa ou do profissional, além de seu tempo, expertise e qualificação. 

Para calcular o valor da hora, em primeiro lugar, é essencial determinar todos os gastos que você ou o escritório têm, detalhadamente e criteriosamente. Nessa etapa deve-se calcular tanto as despesas fixas quanto as variáveis. 

Além disso, deve-se acrescentar um determinado valor que seja dedicado ao crescimento da empresa, seja por meio de investimentos ou por meio de melhorias necessárias. Abaixo detalhamos e exemplificamos esses valores:

Custos fixos

São as despesas que não aumentam ou diminuem de acordo com variações na quantidade de produção, ou seja, caso você execute 1, 2 ou mais projetos:

  • aluguel e condomínio do escritório;
  • contas de água, luz, telefone e internet;
  • impostos;
  • pró-labore;
  • limpeza e conservação;
  • salário de funcionários;
  • seguros;
  • anuidade do Conselho de Arquitetura e Urbanismo — CAU.

Custos variáveis

São as despesas que são proporcionais à produtividade, ou seja, ao número de projetos executados, dependendo diretamente do volume de trabalho:

  • deslocamento ao local da obra;
  • insumos e materiais utilizados em cada obra;
  • mão de obra contratada;
  • impostos sobre serviços e materiais;
  • plotagens.

É importante ressaltar que se em algum momento você verificar que a somatória desses custos fixos e variáveis em diversos projetos não estiver competitiva, é essencial avaliar e orçar outras opções para encontrar qual o aspecto que precisa ser alterado. 

Pode ser que os custos fixos precisem ser reduzidos — talvez diminuindo o valor do aluguel, melhorando o plano de internet e telefone, entre outras medidas. Outra opção pode ser a necessidade de algumas alterações quanto aos custos variáveis — mão de obra mais produtiva, utilizar equipamentos e materiais que também auxiliem no aumento da produtividade, melhor preço de materiais e frete, entre outras. 

Além de definir todos os custos, você também deve estabelecer o percentual ou valor de lucro que cada projeto proporcionará. Para isso, é importante determinar o percentual ou valor de investimento na empresa e também o retorno para você. 

Portanto, para calcular as horas, você vai estimar as atividades que serão feitas e a somatória de todos esses custos, dividindo pelo total de tempo trabalhado. Dessa forma, obterá um valor justo e competitivo. 

Outros métodos de cobrança

Selecionamos e explicamos as práticas de cobrança mais frequentes no mercado, contudo, existem outras opções. Em geral, arquitetos utilizam também a tabela de honorários ou Manual Oficial do IAB e percentuais do Custo Unitário Básico da Construção Civil (CUB).

É importante que você se informe sobre as vantagens e desvantagens de cada método para fazer uma escolha consciente e não arcar com custos indevidos, garantindo, assim, a sustentabilidade de seu escritório ou carreira.

Siga um processo para a precificação

Para não se esquecer de nenhum detalhe, siga um passo a passo que o ajudará a definir seus preços de forma justa. Veja!

1. Faça um levantamento dos custos

Tenha uma planilha com tudo o que você e seu escritório gastam para trabalhar com o cliente. Determine um custo fixo por hora e acrescente outras despesas personalizadas, como multidesenhos, levantamentos topográficos, fotos aéreas, vídeos etc.

Você não pode se esquecer de incluir os profissionais que serão contratados para realizar sua obra. Insira-os na tabela, faça a previsão com uma certa margem de erro e procure cercar-se de pessoas comprometidas, evitando a extensão desnecessária desses honorários.

2. Mantenha o gerenciamento dos serviços

Garanta que os serviços executados sejam exatamente aqueles que foram vendidos ao cliente. Tenha processos claros e bem definidos para otimizar os recursos e o tempo dos profissionais envolvidos.

Quando o arquiteto ou escritório acrescentam etapas ou itens que não estavam previstos, ele precisa arcar com essas despesas. Isso deve ser evitado para não reduzir a lucratividade.

3. Defina o conceito do negócio

A arquitetura abre um mundo de possibilidades e áreas de atuação. O problema é que alguns profissionais, com a intenção de ampliar suas oportunidades, não definem um foco e acabam se propondo a prestar “serviços gerais em arquitetura”. Além da falta de especialização, uma das desvantagens dessa postura é que os diferentes serviços implicam em margens de lucro distintas.

O foco facilita sua precificação porque cria uma previsibilidade quanto a fornecedores e materiais. É mais fácil calcular custos e a rentabilidade é conhecida, simplificando o orçamento. O valor correto deve ser passado na proposta de preço. O que tiver de ser incluído depois será pago pelo próprio escritório.

4. Diferencie projeto e acompanhamento

O arquiteto não cobra apenas pelo projeto. Existe todo um trabalho de acompanhamento da obra e gerenciamento de serviços e execução que precisa ser precificado. Quando a metodologia usada é baseada no percentual, o gerenciamento costuma ser estimado entre 3% a 4% do custo da obra. A execução envolve de 10% a 15% desse valor.

Também existe a opção de cobrar pela hora técnica. Nesse caso, valem as recomendações: observar o mercado em que você está inserido e praticar valores mais ou menos equivalentes.

5. Estipule prazos para o recebimento

Outro ponto que o arquiteto precisa prestar atenção é quanto ao recebimento. O ideal é estipular porcentagens que serão pagas ao final de cada etapa. Uma sugestão é cobrar 30% pelo estudo preliminar, 20% pelo anteprojeto e os outros 50% no projeto executivo.

6. Consulte especialistas

Para finalizar, vamos mais uma vez contar com a expertise de Daniel Motta. O contador afirma que cada projeto tem suas particularidades. Por isso, é importante analisar caso a caso.

Para o profissional que está entrando no mercado, uma excelente opção é buscar uma consultoria especializada. Quando o arquiteto recorre a quem já tem experiência no segmento, ele pode obter apoio e uma visão mais ampla para o desenvolvimento e implantação de uma metodologia de precificação justa e eficaz.

Entendeu os aspectos que um profissional precisa levar em conta para definir como cobrar projeto de arquitetura? Quer receber outras dicas para impulsionar sua carreira e construir uma trajetória do sucesso? Então, curta nossa página no Facebook e acompanhe nossas publicações!

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